Quem acompanhou a preparação das eleições autárquicas de 2001, ou outras anteriores no distrito de Bragança, já conhece muitas das cenas e factos que estão a acontecer por todos os concelhos do Nordeste Transmontano.
Há quatro anos, aquando da preparação das listas para as autarquias, o PS estava no Governo e arrogantemente, de forma abusiva e ilegal, usou o aparelho do Estado para fazer as suas listas, designadamente na nossa terra. Agora, a tralha gueterrista voltou ao governo, daí ser natural que os velhos métodos continuem. Embora, porque a manha é maior, de forma eventualmente mais disfarçada.
O mesmo faz o PSD quando "come da gamela" do Estado.
O mesmo fazem os dois (PSD e PS) quando dominam as autarquias.
Das notícias que chegam à opinião pública local e regional, são referenciados inúmeros episódios que, a confirmarem-se, podem colocar em risco a democraticidade das eleições autárquicas de 9 de Outubro. Fala-se de recrutamento e assédio por parte do PSD e do PS a cidadãos de outrospartidos, recorrendo à chantagem com base em hipotéticos favorecimento posteriores, quer ao nível municipal, quer ao nível do governo central, usando ilegitimamente para tais intentos as estruturas autárquicas e o aparelho de Estado.
Fala-se da contratação apressada de serviços e bens com critérios mais que duvidosos, nomeadamente com base no poder de influência da obra ou pessoa a contratar, como sejam as famílias que potencialmente possam garantir maior número de votos, através de programas ocupacionais para desempregados, cursos de formação, etc. mas nunca criando empregos estáveis e com direitos.
Fala-se do aproveitamento de festividades de índole lúdico e/ou religiosa para fins político partidários.
Reafirmamos, a confirmarem-se tais factos, estes não poderão deixar de ter anossa mais viva repulsa, assim como a qualquer outro que em algum momento possa por em causa a dignificação deste acto eleitoral, que deve assinalar e honrar 30 anos de Poder Local Democrático em Portugal.
O exercício pleno da cidadania implica a participação dos cidadãos de forma livre e consciente, sem qualquer pressão ou constrangimento seja de que ordem for.
Os cidadãos e a sociedade em geral devem envolver-se livremente e não deixar-se influenciar a "troco dumas cascas". Porque só assim é possível assegurar candidaturas e escolhas esclarecidas.
Só assim é possível realizar um acto eleitoral transparente e isento.
Só assim é possível eleger novos organismos autárquicos verdadeiramente modernos e catalizadores do desenvolvimento local e regional.
Se esta realidade não for alterada rapidamente não podemos falar de eleições livres, nem de candidaturas em pé de igualdade.
É que, a ser assim, uns serão sempre mais iguais que os outros.
Vamos lutar contra o medo, contra o mercantilismo dos candidatos e dos votos.
Vamos dar combate sem tréguas ao compadrio, ao caciquismo e ao favoritismo.